Vitória, Vila Velha e Guarapari: um roteiro para se encontrar no litoral capixaba
Baleias, manguezais, o Convento da Penha, o congo e mais de 50 praias em Guarapari: o que viver em três destinos vizinhos da costa do Espírito Santo.
Roteiro · Litoral · 3 de Novembro de 2026 · 6 min de leitura
Com um território compacto, o Espírito Santo concentra uma variedade de cenários que, em muitos lugares, exigiria dias de deslocamento. São mais de 400 quilômetros de litoral e cerca de 200 praias — e, a poucos quilômetros do mar, montanhas de clima agradável, Mata Atlântica, cafezais e tradições centenárias.
Este roteiro percorre três vizinhos da Região Metropolitana que mostram bem essa diversidade: Vitória, Vila Velha e Guarapari. Juntos, reúnem natureza, gastronomia, aventura, cultura e história numa só viagem.
Vitória: uma capital cercada pelo mar
Formada por uma ilha principal e outras ilhas menores, Vitória encanta pelo equilíbrio entre desenvolvimento e qualidade de vida. Praias, áreas verdes, patrimônio histórico e boa gastronomia ficam a distâncias curtas — em poucos minutos dá para ir da praia a um parque, visitar o centro histórico, almoçar de frente para o mar e terminar o dia vendo o pôr do sol.
Praia de Camburi, a maior da capital, com o aeroporto logo aliRenato Carbini
O que não perder
Praia de Camburi: com quase seis quilômetros, é a maior praia da capital, com calçadão, ciclovia, quiosques e quadras de beach tennis e vôlei.
Curva da Jurema: águas tranquilas, ideais para famílias, e bares e restaurantes pé na areia do café da manhã ao fim da noite.
Ilha do Boi e Ilha do Frade: praias pequenas e calmas, como a Grande e a Pequena, na Ilha do Boi, e enseadas de águas claras.
Paneleiras de Goiabeiras: no galpão das artesãs, dá para acompanhar a modelagem à mão das panelas de barro usadas na moqueca, um ofício reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil.
Manguezal e Ilha das Caieiras: Vitória tem um dos maiores manguezais urbanos da América Latina, que pode ser explorado de caiaque. Na Ilha das Caieiras, desfiadeiras de siri e caranguejo mantêm viva uma cultura ligada ao mar.
Centro Histórico e Parque da Fonte Grande: Catedral Metropolitana, Palácio Anchieta e Theatro Carlos Gomes contam mais de quatro séculos de história; no parque, trilhas levam a mirantes sobre a capital e a baía.
Ao amanhecer ou ao entardecer, passeios de caiaque e canoa havaiana mostram a cidade por outro ângulo — às vezes, com a companhia de tartarugas e golfinhos.
Vila Velha: onde nasceu o Espírito Santo
Foi em Vila Velha que, em 23 de maio de 1535, os portugueses desembarcaram para iniciar a colonização da então Capitania do Espírito Santo. Quase cinco séculos depois, a cidade reúne história, praias, natureza, cultura e uma das melhores estruturas turísticas do litoral brasileiro.
Convento da Penha: construído sobre um penhasco a 154 metros de altitude, é um dos santuários marianos mais antigos do Brasil — e um dos melhores mirantes da região.
Prainha: o parque guarda o Marco Zero da Colonização, com jardins, fonte interativa e o Forte São Francisco Xavier da Barra, que tem mirante e cafeteria.
Praias: são cerca de vinte, da movimentada Praia da Costa à pequena Praia Secreta. Em Itaparica, o surfe é o destaque; de Itapuã, barcos levam à Ilha Pituã, de águas transparentes.
Morro do Moreno: uma trilha de cerca de 30 minutos leva ao topo, a 184 metros, com uma das vistas mais impressionantes da região.
Farol Santa Luzia: inaugurado em 1871, ainda orienta as embarcações que chegam à Baía de Vitória.
Barra do Jucu, em Vila Velha, terra do congo capixabaVitor Jubini
Em Barra do Jucu pulsa uma das maiores expressões da identidade capixaba: o congo, manifestação que une música, dança e religiosidade, nascida da mistura entre as culturas negra e indígena e reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial. A casaca, instrumento de madeira usado nas apresentações, é uma lembrança clássica de quem visita o estado. Ali perto, o Parque Natural Municipal de Jacarenema convida a caminhadas e passeios de bicicleta pela Mata Atlântica.
Guarapari: do mar à montanha
A cerca de 60 quilômetros da capital, Guarapari é famosa por suas mais de 50 praias e reconhecida como Capital Brasileira da Biodiversidade Marinha. E o roteiro não termina na areia: em poucos minutos, dá para trocar o mar pelas cachoeiras da serra.
Praia do Morro, em GuarapariTurismo Espírito Santo
Praias para todos os estilos
Praia do Morro: a maior do município, com cerca de quatro quilômetros de orla, ciclovia, bares e quiosques.
Areia Preta: as areias monazíticas deram a Guarapari a fama de "Cidade Saúde".
Castanheiras: piscinas naturais na maré baixa, ótimas para famílias.
Bacutia e Peracanga: na Enseada Azul, águas verde-esmeralda e mar calmo, quase sem ondas.
Meaípe: clima de vila de pescadores, com moquecas na panela de barro e os famosos bolinhos de aipim recheados.
Setiba: porta de entrada do Parque Estadual Paulo César Vinha, com restingas, dunas e a Lagoa de Caraís, de águas avermelhadas.
Mergulho em Guarapari, a Capital Brasileira da Biodiversidade MarinhaAtlantes Viagens e Mergulho
A Buenos Aires capixaba
Na região serrana de Guarapari, uma comunidade se chama Buenos Aires. Conta a história que, em 1878, imigrantes italianos a caminho da capital argentina desembarcaram em Guarapari numa parada inesperada. Encantados com o clima e a vista para o mar, ficaram — e batizaram o lugar com o nome do destino aonde não chegaram. Ali estão a Pedra do Elefante, o Painel dos Namorados e as cachoeiras do Barbudo e do Pernambuco.
Quanto tempo ficar
Vitória: de 2 a 4 dias, funcionando como base para conhecer os vizinhos.
Vila Velha: de 2 a 3 dias, combinando com Vitória, Serra, Guarapari e as montanhas.
Guarapari: de 4 a 6 dias, para conhecer praias urbanas e preservadas, fazer passeios náuticos e subir a serra.
Os três destinos recebem visitantes o ano todo. Entre abril e outubro, o clima costuma ser mais seco e agradável para atividades ao ar livre; no verão, as praias ficam mais animadas e a agenda cultural se intensifica.
E para seguir pelo litoral sul
A cerca de 80 quilômetros de Vitória, Anchieta continua o roteiro com praias de mar azul, paisagens espetaculares, história, fé, artesanato e boa gastronomia — uma extensão natural para quem se encantou por Guarapari.
Praias pouco exploradas, restaurantes de família, tradições passadas entre gerações: no Espírito Santo, cada quilômetro é um convite para você se encontrar.
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